Vítor Ferreira

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Ciclismo x Doenças da Próstata

Não existem dúvidas sobre os benefícios da prática desportiva em geral na qualidade de vida e na prevenção de doenças cardiovasculares. Porém, pedalar tem sido evitado por alguns homens por temerem o surgimento de doenças de próstata e impotência sexual. Essa preocupação decorre do fato de várias reportagens referirem que andar de bicicleta pode predispor o surgimento de doenças, como inflamação prostática (prostatite) e cancro da próstata, além de prejudicar a ereção e a atividade sexual.

SOBRE DOENÇAS PROSTÁTICAS

A preocupação com o cancro dos testículos fica por conta da lembrança de um dos maiores ciclistas da história recente do ciclismo profissional, o americano Lance Armstrong. Ele foi vítima de um agressivo tumor testicular disseminado, que, após tratamento quimioterápico, obteve cura completa. Para a felicidade dos ciclistas, não existem estudos relatando a associação entre câncer de próstata e ciclismo. A compressão na região perineal tem sido relacionada com a elevação do PSA (antígeno prostático específico), que é uma substância produzida pela próstata e que ajuda no diagnóstico de doenças nesse órgão. Isso pode confundir a análise do PSA e por esse motivo, recomenda-se evitar ciclismo no período anterior à coleta de sangue . E, ao contrário do que se podia imaginar, estudos da Harvard Medical School demonstram que exercícios físicos aeróbicos, incluindo o ciclismo, auxiliam na prevenção do câncer prostático. A compressão perineal repetitiva e prolongada pode, no entanto, levar a um quadro de prostatite e dor ou desconforto perineal. Medidas preventivas (citadas acima) minimizam esse problema. Convém realizar ainda um check-up prostático anual, se tem mais de 40 anos. Limitar a ingestão de calorias e gorduras de origem animal, aumentar a proporção de vegetais na dieta (soja e tomate, por exemplo); beber uma taça de vinho tinto por dia; e fazer exercícios regularmente. Essa é a melhor prevenção para as doenças da próstata.

SOBRE A IMPOTÊNCIA

Desde 1997, quando Irwin Goldstein, pesquisador da Boston University (EUA), estimou que cerca de 100 mil homens teriam desenvolvido impotência sexual devido ao ciclismo, esse tema tornou-se polêmico. Trabalhos foram publicados explorando o assunto, que ainda hoje desperta atenção. Facto é que há algum tempo atraz, o jornal “The New York Times” publicou um artigo orientando os praticantes do ciclismo sobre as precauções que devem ser tomadas para evitar problemas sexuais. Já na revista médica “Journal of Andrology”, em 2002, um estudo revelou a diminuição da rigidez e da função erétil noturna em polícias que patrulhavam as ruas em bicicleta. E, como foi divulgado mais tarde no “Evanston Northwestern” de agosto de 2004, “o ciclismo vem sendo associado à impotência devido à compressão perineal, que pode lesar nervos e o suprimento sanguíneo responsável pela ereção”. O mesmo artigo ainda sugere mecanismos para minimizar esse trauma, como utilizar selim mais largo e confortável e evitar longos períodos sentado, pedalando, sem descanso. Vários estudos parecem confirmar a relação entre impotência e ciclismo devido a esse mecanismo. O que não se pode afirmar é que pedalar seja CAUSA de disfunção erétil. Parece mais lógico acreditar que, em indivíduos com predisposição para doenças da próstata, com diabetes, hipertensão arterial, excesso de peso, tabagismo ou por hereditariedade, a compressão perineal prolongada possa acelerar o processo de aparecimento de impotência sexual. No entanto devemos lembrar que milhares de indivíduos praticam o ciclismo e não apresentam essas complicações.

 

Entre os Associados desta Associação sabemos que há vários praticantes de ciclismo amador e para eles e todos os ciclistas em geral chamamos a atenção para o texto ao lado.

Destacamos o nosso Associado Vitor Ferreira que muito tem feito pela prática do cicloturismo e pelas desmistificação dessa prática como causa directa do cancro da próstata.

VITOR FERREIRA, 62 anos.
Associado da APDPróstata.
Submetido a prostectomia radical em Fevereiro de 2012.
Cicloturista desde os 13 anos.
Dedicado à questão latente: a pratica do ciclismo e as doenças da próstata.
Para tal abriu uma página titulo CICLOTURISMO SOLIDÁRIO em www.facebook.com/cicloarrabida