Luís Corte-Real
Reformado - Lisboa

Tamanho de letra 


Nasci em 1935 e continuo a caminhar na vida alegremente pois gosto muito de viver, mas no entanto TIVE um cancro na próstata, a doença «maldita» dos homens.

Tomei cedo conhecimento dos problemas que a próstata poderia provocar, pois felizmente na empresa onde trabalhei, a partir dos 45 anos, anualmente fazíamos um exame completo, incluindo o toque rectal, o complexo dos homens.

Pratiquei ao longo da minha vida, até aos 60 anos, vários tipos de desporto, desde o futebol de salão, futebol de onze, andebol de sete, remo.

Nunca bebi bebidas alcoólicas, não fumo, não bebo café. e não tenho antecedentes cancerosos na minha família , me considerava um homem saudável, mas nunca descurei os meus exames á próstata que me deixavam tranquilo até que um dia...quando num exame de PSA encontrei um valor de 5,2, quando o valor máximo seria de 4. Esta situação me levou de imediato ao meu medico urologista, que ao mesmo tempo que me tranquilizava me mandou fazer o exame do PSA todos os seis meses, o que cumpri.

Tudo isto se passou nos meus 65 anos, e lentamente os exames do PSA foram aumentando até ao valor de 16. É a partir deste valor que os médicos do Hospital de Santa Maria, onde estava a ser acompanhado, me recomendaram a sempre não desejada Biopsia.

Não esqueço o dia, quando acompanhado da minha esposa recebi a noticia; POSITIVO.

A minha primeira pergunta; porquê eu? Entendi então que o cancro, e devemos todos deixar de ter medo do nome, é uma doença silenciosa que poderá atacar todos e para a qual só há uma resposta; prevenção e quando falo de prevenção é o de controlar o que se passa na nossa próstata , pois existem vários tipos de doenças e no caso de se ter um tumor maligno, pensar de imediato em vencer o cancro , admitindo todas as consequências.

De imediato me foi proposto pela equipa que me estava a acompanhar, as possibilidades da tratamento, (e entre as várias propostas também me disseram que eu poderia tomar a atitude de não fazer nada, mas depois quando lá voltasse, quem não faria nada seriam eles, médicos) considerando que no meu caso o melhor seria a extracção total pois as sequelas prováveis seriam sempre as mesmas (impotência e incontinência) fosse qual fosse a escolha. Imediatamente fiz no Hospital, no departamento de Medicina Nuclear, uma cintigrafia (análise ao esqueleto completo para despistar qualquer hipótese de metástases) e uma TAC á região vesicular, não se encontrando nenhum problema.

Fui operado com 67 anos, com êxito, pois não tive necessidade de fazer radioterapia nem fiquei incontinente, (que eu considero a pior das sequelas da operação pois se torna num flagelo social). Hoje, já se passaram 5 anos e continuo bem, continuando a fazer os meus PSA anuais.

Para este êxito é necessário a compreensão e o apoio das pessoas mais perto de nós, pois só com muita compreensão se consegue ultrapassar o que a operação nos deixou como sequela, MAS COM VIDA e para uma melhor vida o papel da esposa é muito importante; o que ela quer é que aquele homem prolongue a sua vida, evitando pressionar em relação a sexualidade.

Aqui vos quero deixar com este meu depoimento a esperança que tudo é possível vencer, mesmo um cancro.

CUIDEM-SE

Veja aqui a entrevista de Fátima Lopes
a Luís Corte Real no Programa da SIC "Vida Nova"